“talvez seja melhor assim. você sabe, aquele papo de deixar fluir, de jogar ao vento, de esperar acontecer. eu não gosto da ideia, mas talvez seja melhor assim. eu estava estudando e me veio uma analogia muito doida na cabeça. era matemática que eu estava estudando, então eu não sei se eu quem já estava doida, ou se era a analogia. mas era algo mais ou menos assim: talvez sejamos retas paralelas. sim, paralelas. de início pode parecer algo bom, mas não é. por mais que sejamos prolongados, infinitamente, porque somos infinitos, nunca nos cruzaremos. triste, não? nunca. nunca nos encontraremos em um ponto, nem nos tocaremos. depois eu descartei essa hipótese porque, nesse estágio da história, há muito tempo a gente já se tocou. e foi bonito o nosso toque, na sua pele e na minha. na sua alma e na minha. foi profundo. mas talvez não tenha sido o suficiente, porque existem coisas e fatos e acontecimentos e empecilhos que parecem pra nós como películas (outra analogia doida), e o toque tem que ser profundo pra atravessar essas películas. talvez… bem, talvez nosso toque não tenha sido profundo o suficiente. mas que foi bonito, foi. não sei, e acho que você também não sabe, e acho ainda que a gente tem medo de descobrir porque, caso minhas suspeitas (que eu sei que são suas também) se concretizem, eu vou ter que parar de usar tanto “talvez”, e é nessa palavrinha abrangente (porque cabe um mundo dentro de talvez) que eu deposito esperança na gente. talvez eu esteja certa em esperar que as coisas deem certos, né? aquele papo todo de perseverança que a gente lê nos livros de auto ajuda, só que eu odeio auto ajuda. mas não sei, talvez. quem sabe?”
“Eu quero ficar deitada com você, no frio, com um monte de cobertas e a tv desligada. O som dos nossos sussurros e risadas já seria o bastante. Eu quero um fim de tarde com você. Eu quero um amanhecer com você.”
“Eu deixei de me amar, pra todo meu amor ser só seu. Eu voltei atrás. Eu chorei, eu pedi desculpas, eu aguentei besteiras. Aguentei tudo. Juntando do chão, migalhas do seu carinho, migalhas do seu amor. Do seu jeito explosivo e calmo. Um dia me amando como se a terra fosse acabar depois da meia noite. No outro dia um desconhecido me pedindo pra tratá-lo como qualquer um, por favor. Você é meu personagem favorito. O dono de todos os meus textos, de todas as minhas histórias. O dono da curvinha das minhas costas. E eu tenho que dizer isso agora, só pra uma foto numa rede social. Porque você morreu na minha vida. Você pediu demissão, seu cargo era o de presidente, era membro honorário do conselho, tinha tapete vermelho e eu me vestiria até de secretária se te agradasse. E você pediu demissão, sem aviso prévio nem nada. Me diz agora? Como viver bem? Como sobreviver, sem essa ponta de angustia? Eu sou feliz, cara. Eu sou feliz demais. Mas eu sou infeliz demais, quando penso em você. Quando penso no que poderia ser, no que poderia ter sido. Eu sei que não dá. Eu nem quero que dê. Não quero mais. Mas não sei o que fazer com esse nó. Vai passar né? Eu sei. Com o tempo eu não vou mais olhar sua foto, nem sofrer, nem pensar o quanto é infeliz tudo o que aconteceu. Tomara que passe logo. Porque a vontade de te ressuscitar as vezes, me domina.”